sábado, 10 de abril de 2010

Piso e Carreira


Piso só tem sentido como base de uma carreira.

Olala,
Tenho participado de diversas manifestações de entidades de trabalhadores em defesa da carreira e do piso.

Estes dois temas ensejam uma reflexão mais profunda. Os dois assuntos (piso e carreira)carregam consigo concepções diversas.

Vamos conceituar cada um. Piso é o valor mínimo recebido por um trabalhador em determinada categoria. Já Carreira é o conjunto de vantagens de cada categoria, é o percurso que garante ascenção profissional por antiguidade, formação, etc.

O mundo empresarial gostaria que só existisse o piso. Assim agem também alguns governos que não desejam assegurar vantagens aos servidores. Quando um governo, por exemplo, propõe fixar um piso sem considerar a carreira, ele está dizendo que deseja economizar pagamento menos pela mão-de-obra.

Não se constrói eficiência no serviço público ou privado sem a valorização das carreiras. Por isso que não se pode conceber a aplicação de um piso sem que haja a progressão da carreira. O piso só tem sentido se ele for considerado como primeiro degrau da carreira.

Ao propôs um Piso Profissional Nacional para a Educação o governo Federal não acenou com a destruição das carreiras como apontaram cinco governos - inclusive o de Yeda, o RS - que entraram no STF para contestar a medida. Yeda queria aplicar apenas o Piso, sem considerar os direitos de carreira.

Por isso, nunca aceite as fórmulas que desvinculam Piso de Carreira. O divórcio entre as duas vantagens não é benéfico para a classe trabalhadora.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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terça-feira, 6 de abril de 2010

Paim corre risco?


Senador Paim é alternativa para um voto ao Senado. E para quem será o outro voto?

Olala,
O senador Paulo Paim corre risco de não se reeleger.
Avaliando o cenário eleitoral há seis meses da eleição, pode-se constatar alguma tendência.

Primeiro, a plarização deverá dar-se entre Tarso Genro e José Fogaça. Ambos integram partidos que atualmente dão sustentação ao governo Lula. Ambos irão avançar nas pesquisas mas não com substância para decidir a eleição no primeiro turno.

Julgo que alguns partidos irão sustentar candidatos a governador para demarcar no partido com chapas próprias com o objetivo de estimular a eleição de candidatos proporcionais.

Há seis meses do pleito é previsível um risco para a vaga do candidato do PT ao Senado. A frente capitaneada pelo PT, tendo definido apenas um candidato a senador (Paim), corre risco de não elegê-lo pela simples razão de que na eleição deste ano se renovam duas vagas.

Ora, fica visível que, atualmente aliançados no Piratini, Rigotto e Ana Amélia têm motivos para formarem uma dobradinha estratégica.

E os dois votos do PT? Não tenho dúvida que o primeiro voto do candidato petista irá para o Paim. E o segundo? A se manter o atual cenário, boa parte dos petistas irão sufragar Rigotto como segundo voto ao Senado, que garantirá a vaga.

Com três candidatos potenciais com capacidade de se eleger (Rigotto, Paim e Ana Amélia), ganha o candidato que fizer mais votos. No cenário atual, Paim corre risco.

E você, o que acha? Opine.
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domingo, 4 de abril de 2010

Conae sem governo do RS


Mariza, secretária, proibiu professores a participar da Conae, mas, como assessora foi ao evento.

Olala,
Escrevi sobre a Conae 2010 e um internauta anônimo comenta deixando uma pergunta que faço questão de esclarecer.
- O Governo (do RS) estava presente na Conae?

Primeiramente é preciso dizer que o governo Yeda tem se notabilizado em criar conflito e distância com as políticas implementadas pelo Governo Lula. A merenda escolar que, desde, 2009, têm os alunos do Ensino Médio do país com uma refeição. Aqui no RS a medida ainda não foi implementada.

A Conae 2010 foi desacreditada pela então secretária de Educação Mariza Abreu que editou resolução enviada aos diretores de escola par que não liberassem os trabalhadores para participar das etapas municipais da conferência.

Muitos professores, rebelados contra a medida, decidiram participar. Com o risco de penalidades funcionais entendemos que seria importante estar presente nas etapas que definem as diretrizes e estabelecem o Plano Nacional de Educação para a próxima década.

O governo do Estado optou por isolar-se do Plano Nacional e o fez ao proibir a participação dos professores e renunciar às nove vagas asseguradas como gestor estadual.

Mas, o mais angustiante foi perceber que a mesma secretária que impediu os professores a participar da Conae, se inseriu no evento de forma biônica. Mariza Abreu, retornando ao cargo de consultora no Congresso, adentrou no evento numa clara provocação aos educadores que lá estavam.

A delegação gaúcha fez um protesto pela presença da ex-secretária no evento entendendo que houve dois pesos e duas medidas no comportamento de Mariza.
Pense nisto, enquanto há tempo.
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Anonimato


Cultura do anonimato revela falta de democracia no país.

Olala,
Sou daqueles que não gostam do anonimato. Vez por outra as pessoas comentam textos de meu blog e postam opiniões na condição de anônimos.

Como são anônimos, fica o constrangimento na hora de contrapor. Afinal, quem está do outro lado opinando pode ser um colega de trabalho, uma pessoa distante ou até mesmo o chefe. O anônimo, como a própria palavra diz, é uma pessoa sem nome, alguém que, opinando, deseja manter-se oculto.

Entendo que o anonimato deveria ser abolido numa sociedade que pretende ser democrática. Esta convicção a tenho por prática e não apenas por teoria.

Em 1987, depois de uma greve, na condição de sindicalista e jornalista, resolvi responder como editor de um jornal sindical, assumindo o conteúdo da publicação. Botei a cara. O patrão entrou na justiça e, amparado na famigerada Lei de Imprensa, me demitiu. Seria diferente se eu tivesse mantido o anonimato, ou usado pseudônimo.

Quando estudante, em 1974, no período pós-ditadura, fiz um discurso para lembrar a pátria no dia 7 de setembro. À noite, recebi um telefonema anônimo que me advertia sobre os termos usados no discurso. Até hoje não sei de onde partiu a ligação. Naquela época não havia celular com “bina”.

Tenho a impressão que estimular o anonimato nas falas, no voto, nas manifestações e opiniões é um gesto que conspira contra a liberdade e a democracia. Sou mais favorável a quem se mostra “sem cera”, sincero. A sinceridade pode doer mais que o anonimato mas carrega consigo o orgulho de uma vida às claras.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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Cultura brasileira


Ariano, 83 anos, percorre o país divulgando a cultura brasileira.

Olala,
Participando da Conae 2010, em Brasília, tive a felicidade de ouvir novamente a fala do poeta e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna. Autor de diversas peças teatrais entre elas o “Auto da Compadecida”, Ariano, 83 anos, é atualmente secretário de cultura do governo de Pernambuco.

Confesso que não conheci outro brasileiro tão convencido da necessidade de reconhecer a cultura de nosso país como Ariano. Ele é a expressão das raízes de nossa formação histórica sabendo reconhecer, como poucos, a importância da arte popular.

Sua forma pausada de contar estórias retratando a arte de índios, negros, caboclos, mamelucos e brancos, através da música, dança, teatro, esculturas, resgata a cultura de um país continente. Lembro de ter assistido a uma peça de teatro de hora de duração em que um único personagem não falou sequer uma palavra e, através do cenário, da indumentária e da música, Ariano conseguiu passar a mensagem.

Crítico voraz àqueles que insistem em pontuar o início da cultura brasileira a partir do descobrimento, Ariano diz que se somos o que somos é graças a uma formação multiétnica que descende dos ancestrais povos andinos, de africanos e de europeus. Esta multiétnicidade se expressa numa cultura brasileira que tem identidade própria.

Pena que alguns produtores culturais prefiram pautar eventos com base a arte alienígena preterindo os belos e ricos espetáculos da arte do nosso povo.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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África desigual


África, continente que será foco das atenções do mundo por causa da Copa.

Olala,
Durante muito tempo a África permaneceu colonizada. Embora muitos países tenham logrado a independência, ainda dependem fortemente do estrangeiro para avançar em tecnologia e conhecimento que permita a autosustentação.

A África é um continente de contrastes. É o continente mais pobre em IDH. Embora, alguns países possuam grandes reservas minerais, boa parte vive o conflito da consolidação da independência. Muitos grupos étnicos disputam o poder, atrasando a necessária unidade nacional pra construir o desenvolvimento.

Muitos africanos saíram de seus países para estudar. É a alternativa eficaz e que contribui, na volta, para organizar a economia, a política, a educação.

Os países que durante séculos utilizaram a África como colônia têm uma dívida social a resgatar. Inclusive o Brasil que foi construído à base de escravos africanos tem a obrigação de dar guarida e apoiar investimentos nos países africanos.

A Copa do Mundo irá focar o continente africano. Temo que as atenções se restrinjam apenas a olhar a África colonizada, branca e rica. Este raro momento em que o mundo se diverte a partir do esporte, pode ser um momento ímpar para construir o compromisso dos países ricos em rever sua relação com os países pobres.

Pense nisto enquanto há tempo!
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sábado, 3 de abril de 2010

Descobrindo a desigualdade


A desigualdade social existe, embora alguns insistem em negá-la.

Olala,
Durante uma vida, muitas pessoas não têm o estalo da descoberta da desigualdade. Há pessoas que vivem e morrem achando que todos somos iguais, que as leis são justas e que ao há diferenças entre as pessoas.

Situam-se numa situação confortável e menos martirizante. Parece que não saber que há diferenças, não conhecer o sofrimento alheio, não conceber que somos desiguais, não incluir a solidariedade como forma de transformação é cômodo e traz mais conforto.
Muitos negam se inserir no mundo tal qual é, com sua realidade fática porque é menos desafiante. E, para quem quer passar no mundo sem ajudar a transformá-lo é melhor não saber das coisas, fugir da realidade.

Eu tive minha primeira experiência com a desigualdade quando criança. Com nove anos, acompanhei um vizinho para um mato onde deveríamos carregar um caminhão de lenha. Eu e mais crianças, passamos a manhã trabalhando. Matamos aula naquele dia para o trabalho extra. Ao meio dia, a refeição. Quem mandava comia carnes nobres, quem, como nós era um simples obreiro, coração de boi.

Acostumado na minha família a partilhar a pobreza e a riqueza, senti, naquele primeiro gesto, a presença da desigualdade. Aquilo me marcou profundamente que, ainda hoje, quando passo próximo ao local, as imagens da infância me retornam implacavelmente.

Deste episódio para a frente, percebi que a desigualdade existe. Que o germe da diferença e da discriminação está plantado na sociedade. Como uma erva daninha incrustada no âmago das pessoas. Quando menos esperamos ela floresce viçosa e avassaladora. Infelizmente.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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