quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Piso, carreira e jornada



Sem ajuste na carreira, RS não tem como pagar o piso.
Olala,

Tomo a liberdade de abordar mais uma vez um tema poêmico: a impossibilidade do Estado do RS cumprir a lei do Piso do Magistério.

Durante duas gestões o Cpers pautou como prioridade não mexer uma vírgula na Carreira. No governo Yeda temia-se que a governadora pudesse, uma vez autorizando a mexida, esfacelar a carreira como aconteceu em outros Estados.

O atual governador Tarso antes de ser eleito afirmou ao megistério que se comprometia a encontrar as condições para pagar o piso. Embora alguns preguem que o governador afirmou que pagaria o Piso, não foi isto que Tarso afirmou. A Sineta, jornal do Cpers, afirmou que Tarso lutaria para criar as condições de pagar o piso cuja lei ele criou quando era ministro.

Sem condições financeiras para pagar o piso integral, Tarso buscou amparo na Justiça mas viu as ações frustradas e o STF reafirmou o pagamento do Piso sobre a carreira. Sem recursos para pagar o piso e sem mudar a carreira, Tarso optou por transformar a dívida em precatórios. Como uma bola de neve, o professor terá direito a um crédito gerado pelo não cumprimento da lei que o Estado jamais terá condições de pagar a curto prazo. Até o final de 2013, o valor devido aos servidores era de R$ 2,3 bilhões.É a judicialização da relação de trabalho com os professores.

Não é correto afirmar que o Governo paga o Piso sobre a atual carreira do Magistério, com fazem alguns. Há uma dívida crescente. E não adianta crer que a União vai suplementar o orçamento do RS com recursos do Pré-sal para pagar o piso sobre a atual carreira.

O que deve acontecer é uma luta unificada, em nível nacional, para ajustar diretrizes de carreira, piso e jornada. Se queremos uma unidade nacional que dê dignidade aos educadores, temos que pensar estes três elementos de forma unificada e em dimensão nacional. Enquanto cada Estado buscar resolver caseiramente seu problema, se distanciará de uma unidade nacional de referência.
Pense nisto, enquanto há tempo!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Surpresa do filho Fernando


Tão distante, tão perto. Sempre presente.
Olala,
No dia do meu aniversário recebi a seguinte mensagem de meu filho que está na Escócia; "The surprise you will see in the near future.All the best, Fernando Sommacal".

Recorri ao Google translator e ele me decifrou: "Você terá uma surpresa brevemente".

Fiquei ansioso. O que será? Uma bicicleta nova? Um carro, ganhou na loteria, passou em algum concurso, logrou êxito em algum emprego? Ou, quem sabe, achou a namorada, decidiu casar, fez um filho, decidiu virar gay ou solicitará uma mesada?

Quando um filho arma uma surpresa para seu pai, pode ser o jogo da sedução para continuar atraindo a atenção, mas não há como se surpreender com a ousadia da juventude.

Sou daqueles que entende a necessidade de um pequeno gesto, mas sincero, para manter a confiança de um jovem. Próximo ou distante, ele precisa sentir que você está perto, junto, sem entender que esta proximidade signifique um rompimento da liberdade.

Hoje em dia até fica mais fácil manter relações com as pessoas. A multimídia coloca ao nosso dispor inúmeros recursos de conversação dotados de som e vídeo que ficou mais difícil ser invisível na aldeia global.

Mas, por sorte, a surpresa de meu filho era uma máquina que comprou por meio de site na internet e que, o fabricante não entregou. E ainda mandou avisar que não entregará. Pense nisto, enquanto há tempo!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Marcos, o médico "cubano"

Marcos, no colo da mãe, nos primeiros dias na Fazenda Annoni.



Olala,

Depois de perceber a ira dos médicos corporativistas, destaco aqui a trajetória de um personagem que tive a felicidade de registrar seus primeiros momentos num acampamento.

Estava eu nos idos de 1987 visitando o acampamento da Fazenda Annoni, quando soube do nascimento da primeira criança. para lá fui na condição de repórter fotográfico entrar chegar no furo de reportagem.

No caminho barricadas de policiais indagando e retendo todo mundo. Dependendo da cara do vivente, não deixavam passar. Como eu estava identificado como jornalista e portava uma câmera e, tive a permissão para cruzar a barreira e ir até o acampamento.

Não deu outra, identifiquei-me com repórter do jornal Mundo Jovem que servia na época e resolvi conversar com os acampados com o objetivo de montar uma matéria para o mensário. Foi aí que tive a oportunidade rara de fotografar um menino no colo da mãe e junto ao pai sentados num banco improvisado ao lado de barraca, fogão e barraca de lona.

Três anos mais tarde, o menino fica órfão porque a mãe, Rose, é morta com outras duas companheiras durante manifestação por terra junto a um trevo de acesso a Sarandi.

Agora o menino virou médico por ação do governo de Cuba. E retorna ao país para ser símbolo de uma luta que vai avançar a emancipação dos trabalhadores assentados.

Pense nisto, enquanto há tempo

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações nas ruas

Manifestantes enfrentam autoridades e desafiam governos, exigindo mudanças.

Olala,

Tenho avaliado com cuidado a crescente manifestação de pessoas nas ruas. De forma articulada através dos meios sociais, multidões de pessoas, especialmente jovens, estão enchendo praças e ruas das principais cidades brasileiras em protestos.

O que há por trás destas manifestações? Há um sentimento de rebeldia contra a ordem estabelecida que cobra pelo transporte, que vê a corrupção não sendo punida, que entende como abusivos os gastos com estádios preparando o país para a Copa, que vê a burocracia cara, que reclama contra o alto custo de vida, contra a opressão, por reforma política, por liberdades de gênero,...

O país sempre assistiu a manifestações pacíficas. Multidões foram às ruas por diretas já, pelo impeachment de Collor, mas tais manifestações, diferentemente das atuais, foram ordeiras e pacificas. Tínhamos a UNE do Lindbergh Farias e a voz do Osmar Santos como condutores dos atos.

O que assistimos ultimamente mostra a falta de lideranças e a presença de massas errantes sem líderes, gerados pelo espontaneísmo que avançam ruas afora e deixam um rastro de destruição. Ônibus são incediados, carros e vitrines danificadas, contêineres de lixo chutados e incinerados numa fúria que revela a insensatez e depõe contra o caráter pacifista dos atos.

Acho que em meio aos atos, há muita gente que, não tendo qualquer identidade com os projetos de governo, decidem apelar pelas manifestações como meio de abrir espaço de crescimento. Quanto mais cinzas, mais caos, mais espaço para crescimento.

Diferentemente das manifestações de países civilizados, onde há negociação nos protestos, aqui parece difícil a formação de mesas para dialogar porque os interlocutores estão difusos nas partes envolvidas. Por isso, ainda vamos demorar para sair do cenário que nos aproxima mais da barbárie do que da civilização.

Pense nisto, enquanto há tempo!

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Europa que eu vi

Nível de vida de países da Europa atraiu milhares de imigrantes da África, do leste e da Ásia.


Olala,

Em dez dias não é possível fazer uma radiografia de um lugar. Porém, em dez dias é possível fazer algumas considerações sobre um lugar.

Como relatei anteriormente, tive a oportunidade relâmpago de visitar quatro países europeus. Na visita fiz questão de conversaqr com as pessoas para construir um briefing mínimo. Não se trata de um relato científico, mas de impressões de viagem de um turista.

Passei no Reino Unido, na França, na Itália e na Espanha.

Em todos, a mesma preocupação: qual é o tamanho da crise e quando ela irá cessar. A Europa dos dias atuais está convulsionada. Empresas estão perdendo capital, a economia está estagnada, pessoas desempregadas, aumento dos custos sociais e incertezas.

No Reino Unido, que mantém moeda própria e não aderiu à globalidade do tratado de Schengen como os demais países da União Europeia, respira-se ainda um clima de tranquilidade. Com menos inchaço migratório que os países do Mediterrâneo, ostentam níveis de vida mais elevados.

Na França vi muitos migrantes, especialmente africanos e asiáticos, como não tinha visto em 2000 quando passei por Paris. Este contingente de pessoas fez aumentar a disputa por vagas no mercado de trabalho preterindo os cidadãos do pais.

Na Itália, a economia está estagnada com as empresas paralisadas e sem perspectivas de ativação a curto prazo. Cidades do interior sofrem mais e veem seus profissionais migrarem em busca de melhores dias. A cidade de Seren del Grappa, me dizia um amigo, não vê obras há dois anos. O clima é de espera enquanto vê aumentar o número das pessoas que pedem socorro público para continuar vivendo.

Na Espanha, o desemprego atinge cifras perigosas. O governo, como os demais, corta benefícios sociais, adia a idade pagar aposentadorias e efetua cortes nos salários.

Mas, apesar da Europa estar em crise, observa-se que o nível das pessoas tem melhores condições de superar desafios. A maioria, de classe média, terá melhores condições de atravessar o turbilhão que se abate sobre as economias ricas.

Pense nisto, enquanto há tempo.

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terça-feira, 11 de junho de 2013

A bela e ensolarada Escócia


Jardim do Castelo de Edimburgo, na primavera escocesa.

Olala,

Tive a oportunidade, pela segunda vez, de visitar um país do norte da Europa, a Escócia. Lá foi o local que meu filho menor, aos 20 anos, escolheu para viver as aventuras de uma vida. Uma semana após conseguir a cidadania italiana, reuniu uns trocados, cancelou o curso na UFRGS, fez a mochila e decidiu se mandar daqui.
 
Tem idade para aventura, pensei, mas conversando com ele, manifestou-me a determinação de ficar no país dos nórdico. Este meu filho sempre foi muito avesso à convivência das cotidianas cenas de violência de nossas cidades. Embora tenha descoberto que necessitava aprender inglês para desbravar uma profissão, acho que o que pesou mais para sua fuga do Brasil foi o cenário de violência que sempre o indignava. 

Nem mesmo um concurso público no Banrisul, onde fora aprovado, chamado para assumir e renunciou a vaga, serviu de motivação para que retornasse. Afinal, em outra dimensão e em outro tempo, ele faz o caminho de volta de seu tataravô Francesco que migrou em 1877, da Itália para o Brasil acompanhado de esposa e seis filhos, o maior com doze anos e o menor com seis meses. Quem se aventuraria, hoje, a lançar-se ao mar durante 33 dias nesta condição!  

Pois, a Escócia que encontrei é de dar inveja a quem é turista. Ruas limpas, ambiente pacificado, sem grades, pessoas cordiais e gentis, infraestrutura moderna, espaço de emprego crescente apesar da Europa estar convulsionada. A Escócia como integrante do Reino Unido têm regras próprias e não assumiu a integridade do tratado de Schengen, preferindo, inclusive, ficar com moeda própria, a Libra, mais forte que o Euro e o Dólar. 

Mais adiante retomo minhas impressões pela passagem pela Europa. 
Pense nisto, enquanto há tempo!
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Propaganda


Propaganda feita pelo governo italiano para fazer migrar pessoas no século XIX.


Olala,

A propaganda sempre fez a cabeça das pessoas. E, em geral, têm sido utilizada para manipular multidões. A propaganda cria hábitos e estimula as pessoas que passam a se mover na direção pregada pela propaganda.
  
Quem aspira poder serve-se da propaganda. Há a propaganda para o bem e para o mal. Hitler utilizou-se da propaganda elaborada pelo estrategista Goebbels para disseminar entre os arianos que podia dominar o mundo. A propaganda serve para sensibilizar em campanhas humanitárias para ajudar pessoas e multidões atingidas por calamidades.
 
Mas, há também a propaganda oculta, aquela feita pelos experts que a inserem na programação da mídia sem avisar que se trata de propaganda. Quando, por exemplo, um político decide pagar para virar notícia numa rádio ou tevê, ele está fazendo uma propaganda disfarçada. E, ao aparecer periodicamente na mídia para divulgar seu pensamento ou projetos, ele está ferindo o princípio da democracia que impede a propaganda fora do período eleitoral.
 
Se, num determinado local se prefere beber suco preterindo o refri, ou se a cerveja suplanta o vinho, ou se o futebol suplanta o rugbi, pode confiar, aí está a propaganda agindo.
 
Pense nisto, enquanto há tempo!
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