terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma reunião angustiante


Escolas públicas são orientadas a abrir empresas privadas para gerir recursos da merenda.

Olala,

Quero relatar aqui uma situação angustiante que vivi nesta manhã. Estimulado por um folheto pendurado nas portas convocando para uma reunião que visava criar a CAIXA ESCOLAR, fui, no turno inverso, à minha escola para a referida reunião convocada pela diretora.

A princípio, estranhei que a reunião acontecesse num estreito intervalo de aulas no turno da manhã. Mas, lá fui conferir. Pois, o que se seguiu na reunião é uma cena das mais deprimentes que já presenciei em toda a minha vida pública como professor.

Na sala, a diretora tomou a palavra e anunciou que estava anunciando a criação de uma empresa chamada Caixa Escolar, cuja finalidade era gerir os recursos públicos da merenda que o governo irá destinar à escola em 2010. E mais, ela anunciou que a decisão de criar a empresa partia de uma instrução do atual governo do Estado, visando formar empresas que administram os recursos da alimentação escolar nas escolas da rede pública. Informou que, como diretora, era a presidente da empresa e a vice-diretora da escola, sua vice. A rápida reunião levou à indicação de uma secretária e uma tesoureira da nova empresa.

Não resisti à investida e reagi ponderando que o ato visava distorcer o princípio da gestão pública, visando enfraquecer os órgãos de gestão atualmente constituídos, como o Conselho Escolar que tem a atribuição de gerir TODOS os recursos destinados às escolas públicas. Referi que aquele momento não contaria com meu apoio para criar uma segunda empresa na escola, já que a mesma diretora integra outra empresa chamada Rede Escola.

Cortado em minha fala, acabei entregando um texto onde é fundamentada minha posição a favor do Conselho Escolar e de uma gestão transparente e democrática.

Quero alertar os outros servidores de Estado que, como eu, são professores efetivos da rede pública estadual, que se rebelem contra os atos que visam privatizar a escola pública, com iniciativas como a da criação da CAIXA ESCOLAR.

Sei que esta luta é inglória, mas eu vou me juntar àqueles que desejam reforçar as ações públicas com propostas construídas coletivamente.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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domingo, 27 de setembro de 2009

Zelaya versus Micheletti


Zelaya tem seu governo atingido por um golpe de estado e é pivô de umacrise em Honduras.

Olala,

Honduras, país de 7,6 milhões de habitantes, com um PIB per capita de US$ 4 mil, vive uma das piores economias da América Latina. A agricultura é a base, empregando quase dois terços da sua mão-de-obra. Os principais produtos da pauta de exportações são: café, banana e camarão.

Cumprindo um primeiro mandato, Jose Miguel Zelauya Rosales, editou um decreto em 30 de março de 2009 prevendo que na consulta de 28 de junho passado, se colocasse uma urna adicional para colher votos do eleitor sobre a conveniência ou não de realizar uma nova Constituinte em Novembro próximo quando acontecem eleições gerais.

A consulta não foi bem digerida pela elite que integra o Partido Liberal - o mesmo partido de Zelaya - vendo o gesto do presidente como um passo para obter, da população, um aval para um segundo mandato.

Embora tenha sido formado sob a ótica neoliberal, Zelaya, sempre serviu aos interesses dos EUA para onde migraram mais de 300 mil hondurenhos e, paradoxalmente, se alinha com com Hugo Chaves, que pretende formar uma hegemonia dos países latinos, de índole mais socialista.

Assim, temendo o avanço de Zelaya no poder, o correligionário Roberto Micheletti se juntou ao Exército e, num golpe, tomou o poder, exportando o presidente eleito para El Salvador.

Mas, Zelaya não recuou e voltou duas vezes ao país, até chegar, agora à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, um território dipolomaticamente neutro.

Lula, amparado num sentimento anti-golpe emanado em vários países, defende o retorno de Zelaya ao poder. Aliás, não é só Lula que pensa assim: as democracias vêem com restrições as tentativas de tomada do poder à força. E, a solução que se der ao caso Zelaya poderá servir de exemplo ao que pode acontecer nas frágeis democracias do continente latino.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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domingo, 20 de setembro de 2009

O fim das "Caixas de Abelha" no TJ

Depois que denunciamos a existência da obra polêmica junto à antiga sede do Palácio da Justiça, "caixas de abelha" desapareceram.


Olala,

As imagens ao lado e abaixo revelam a força deste Blog. No dia 27 de janeiro passado, fiz um comentário neste espaço, criticando os gastos feitos pelo Judiciário gaúcho com decoração. Dizia, na oportunidade, que nada menos que 130 "caixas de concreto" haviam sido postas ladeando o prédio o Palácio da Justiça, junto à Praça da Matriz. (Fotos ao lado >)

A crítica chegou à direção do Palácio que mandou retirar as caixas, como se pode observar na imagem abaixo.

Para a limpeza ser completa, o Tribunal deveria mandar retirar também os holofotes que iluminam dois enormes painéis para "ETs" colocados no topo do edifício de seis andares. Outra aberração artística facilitada com recursos públicos. Pense nisto, enquanto há tempo!
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Quiosque de Yeda na Praça da Matriz

Para evitar manifstações do movimento social, Yeda manda instalar um quiosque permanente na Praça da Matriz.


Olala,

O respeito às leis e dever de todo o cidadão, independente do poder que exerça na sociedade. Pois, dia destes, andando pelo centro da capital, mais propriamente no coração de Porto Alegre, deparei-me com uma cena inusitada.

Todos sabem que a Praça da Matriz, ou Praça Marechal Deodoro, sedia, nas laterais os poderes de Estado. Lá estão, o Executivo com o palácio Piratini, o Legislativo com o Palácio Farroupilha, o Judiciário (ou parte dele) com o palácio da Justiça e a Igreja, com a Catedral Metropolitana.

Por ser uma área estratégica do ponto de vista político, é local de manifestação constante de entidades, do movimento social e sindical. É o local onde o povo mais realiza seus atos.

A Praça, anda meio abandonada e sem o cuidado necessário. Afinal foi adotada pelos Três Poderes de Estado, mas, como cachorro abandonado, acaba definando.

As ruas que ladeiam a praça receberam estacionamento rotativo tarifado, inclusive com vaga assegurada para deficientes.

Pois, pasmem, a governadora, de maneira unilateral, decidiu armar um quiosque em plena rua, sobre os box reservados aos deficientes. A construção tranca o tráfego de veículos no contorno à praça. Pensei que o quiosque seria temporário mas, não, é permanente. Lá está ele obstruindo a rua há três meses e, se a ira do povo não vier, ficará até o final do mandato da governadora. Justamente ela que, como todos nós, deveria respeitar as leis.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Negrinho do Pastoreio

Negrinho do Pastoreio é uma lenda genuinamente gaúcha e trata da formação histórica do Estado.

Olala,

Dia desses, durante uma aula de filosofia, falando de lendas e mitos, indaguei uma turma de alunos de primeiro ano de Ensino Médio de minha escola, sobre quem foi o Negrinho do Pastoreio.

Para minha surpresa, dos trinta alunos, apenas um ou dois souberam precisar quem foi este personagem lendário e incorporado ao sentimento farroupilha. A lenda é o retrato fiel de um período da história gaúcha. Durante muito tempo a escravidão dominou as estâncias e maltratou os filhos de escravo. É a lenda mais típica da formação de nossa cultura, sendo reproduzida em outros países.

Não é de se espantar que poucos alunos saibam o significado da lenda. Pensando bem, fico imaginando onde um jovem de bairro de Porto Alegre poderia ter ouvido falar do Negrinho do Pastoreio. Se não for nas aulas de História ou Literatura do Ensino Fundamental, ou da participação em algum CTG, o jovem de hoje não tem oportunidade de conhecer a história da formação de seu Estado. Em geral, não há o interesse, a curiosidade sequer para saber qual o significado do bairro, do nome da rua, do seu próprio nome e sobrenome.

A curiosidade, infelizmente, não povoa a ousadia do jovem moderno. Ele quer cada vez mais coisas prontas, acabadas. Tudo é mais reduzido, resumido, imediato. Há uma geração orkutada, tuwitada, onde é preciso dizer tudo em apenas 140 toques!

Não sei, mas tendo todas as facilidades que a tecnologia moderna coloca à disposição de todos, parece-me que as pessoas passaram a ser mais preguiçosas. Alguém pode me dizer que motivações podem ser usadas para estimular um aluno a ler um livro?
Pense nisto, enquanto há tempo!
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sábado, 12 de setembro de 2009

As calças da jornalista sudanesa


A jornalista Lubna repete a rebeldia da carioca Leila Diniz que quebrou padrões de comportamento.

Olala,

A mídia noticiou recentemente que uma jornalista sudanesa foi punida porque usou calças jeans, ao invés do tradicional vestido usado pelas mulheres. A jornalista desafiou o Código penal do país que proíbe as mulheres de aparecerem em público sem a túnica e a cabeça coberta por um véu.

A jornalista estava num ar junto com outras companheiras quando foi advertida. O gesto de Lubna Ahmed al-Hussein encontrou amparo e solidariedade internacional, motivo pelo qual disse que preferia a prisão a renunciar ao costume. Foi, então que o juiz da cidade de Cartun, manteve a prisão de 30 dias para a manifestante.

Um texto de site na Inernet precisa melhor o conceito de moda feminina para a mulher árabe. A certa altura o texto dia: "Uma mulher muçulmana deve cobrir todo o seu corpo, deixando à mostra somente o rosto e as mãos. Quem está impondo o uso do véu e de vestimentas modestas não é o marido da mulher, nem o pai, o irmão ou o tio, mas sim e tão somente, Deus. Esse dever é imposto quando a mulher atinge a puberdade. Não há uma data ou momento específico, a própria mulher, assim que se conscientiza desta ordem divina, ela mesma é quem estipula o momento em que se sente preparada para usar o véu. Este assunto só diz respeito entre ela e Seu Criador, se ela deixar de usar o hijab, esta é uma falha na qual ela irá responder no Dia do Juízo Final. Vale lembrar que o uso do hijab não faz parte de cultura de um povo, mas sim, uma ordem divina estipulada no Alcorão".

O gesto da jornalista tem um significado histórico num país maçiçamente dominado pela teocracia, pelo fundmentalismo religioso que impede qualquer manifestação pública da mulher. O gesto de Lubna em rejeitar o padrão é semelhante ao da carioca Leila Diniz, nos anos 60, que desfilou na praia do Leblon, grávida e de bikini.
Na ocasião, a sociedade achou o gesto um escândalo, que o tempo se encarregou de apagar.
Pense nisto, enquanto há tempo.
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Alunos ouriçados

Ser jovem é revelar um período de liberdade e ousadia onde a todo o momento os adultos estão sendo desafiados.

Olala,
Um professor sempre tem a oportunidade de observar mais de perto o comportamento coletivo dos jovens. A juventude é, por essência, mais rebelde, explosiva, inventiva, volátil e dinâmica. Talvez por ser uma idade mais vulnerável, é mais sucetível à influência dos vícios como drogas, álcool e fumo.

A sensibilidade do jovem é mais ativa, vai da euforia às lágrimas num piscar de lhos. Lembro de algumas circunstâncias ocorridas na escola, que levaram os jovens a emitir reações espontâneas, rápidas, quase impensáveis.

Dia destes, uma professora deixou escapar a expressão "maconheiro" referente a um aluno. A palavra dita sem maldade pela educadora acabou ferindo o ego do aluno que revidou com ameaças de morte à mestra. Noutra oportunidade, eu próprio, alcunhei de "cara-de-paus" os alunos que não fizeram a prova e, depois, dizem que "a prova foi perdida pelo professor", tentando se justificar. A expressão que usei foi levada adiante por um aluno que me levou a dar explicações nos órgãos diretivos.

Outra experiência que fiz com os jovens alunos mostra que, nas explosão da fertilidade, fica impossível você juntar duas turmas de adolescentes para uma única aula. É como se você juntasse um grupo de bárbaros que nunca se avistaram. Com certeza, a aula será tumultuada devido ao ouriçamento e disputa entre os alunos. O processo civilizatório do grupo será ignorado e o ego e a ambição vão contagiar o grupo.

Bom mesmo é encontrar motivações para canalizar este energia para o processo produtivo. Uma vez motivados, os jovens são capazes de proezas que inovam e resgatam a vitalidade da sociedade.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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