sábado, 7 de agosto de 2010

Cérebros plugados (I)


Pessoas cada vez mais plugadas. Será que a liberdade está preservada?

Olala,
A cada dia surgem novas formas de comunicação, cada vez mais rápidas e eficazes. Não sei se as pessoas perceberam, mas a tecnologia dos aparelhos eletrônicos anda a uma velocidade tamanha que as máquinas que temos em mãos ficam obsoletas da noite pro dia.

Dias atrás, num reunião de uma centena de dirigentes da CUT em São Paulo, fui surpreendido com um auditório adaptado às novas tecnologias. Lá estavam dirigentes com seus laptops, ipod e celulares, todos plugados, enquanto assistiam as falas e encaminhamentos. A maioria dos dirigentes que lá estavam portavam algum aparelho eletrônico de comunicação. Todos portavam o celular.

Vivemos um período de transformações. Não há como negar as inovações eletrônicas que vieram para facilitar a comunicação entre pessoas. Esta velocidade na transmissão de dados virtuais criam também demandas aceleradas.

Na educação, as inovações tecnológicas mudam o panorama e desafiam os especialistas.

As pessoas não portam apenas aparelhos hoje. Portam verdadeiras centrais eletrônicas com capacidade de registrar, armazenar e transmitir dados simultâneamente do local em que estão. Dias atrás estava sentado no trono, quando o celular bipou e recebi uma demanda: faz contato urgente com "x" que ele precisa dos dados. Ou seja, eu não me pertenço mais. Com celular na mão, não sou mais dono de mim mesmo. Dependo da interatividade 24 horas por dia. O difícil é fazer a minha geração plugar o cérebro a esta nova realidade.
Pense nisto, enquanto há tempo.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Plebiscito sobre o limite da propriedade


Plebiscito são consultas feitas à população em temas polêmicos.

Olala,
Ao longo das minhas cinco décadas de vida tenho participado de plebiscitos e referendos. Previstos na Constituição, servem para dar ao governante uma posição mais legítima sobre temas polêmicos. Todo o país democrático vive de consultas à população. Nossa jovem democracia não tem o costume de consultar os cidadãos. Optamos por valorizar a democracia representativa, via parlamentos, e, dela colher decisões que acabam sendo implementadas pelos governos. O plebiscito é um instrumento muito usado nas democracias.

Na história brasileira, tivemos o primeiro plebiscito da República em 1963, quando Jânio renunciou e os golpistas queriam impedir a posse de Jango, mudando o sistema de governo. Na época, 11,5 milhões de eleitores foram votar e 9,4 milhões confirmaram que o presidencialismo continuaria como sistema de governo.

Tinta anos depois, em 1993, a consulta volta com o mesmo teor. Estávamos saindo do desastrado governo Collor que havia frustrado o sentimento do eleitor com a eleição a presidente. Novamente o eleitor foi chamado e 90 milhões de brasileiros votaram garantindo novamente a república presidencialista como sistema de governo.

Em 2005, outro plebiscito foi implementado e consultava a população sobre a proibição ou não do comércio de armas. Venceu a liberdade de portar armas.

Agora, às vésperas da eleição, algumas organizações colocam em pauta o plebiscito do limite da propriedade. Quero dizer que, jogar uma questão tão sensível e delicada no meio de um processo eleitoral onde a disputa é polarizada é uma temeridade. Todos lembram dos episódios e versões criados na campanha de 1987, quando Lula se candidatou pela primeira vez a presidente e o adversário Collor, espalhou o boato de que Lula, se eleito, iria confiscar a vaquinha ou a casa de quem tinha duas. Alguém tem dúvida que, agora, se alguém puxar o tema da divisão da terra, não vão aparecer os estrategistas que vão associar Dilma a defesa do "confisco" da propriedade?

Uma das máximas que aprendi no marketing político é que em período de campanha eleitoral não se deve jogar no debate temas polêmicos. Apenas consensos.
Pense nisto, enquanto há tempo.
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domingo, 18 de julho de 2010

Visual de campanha


Legislação mais rigorosa esconde a campanha e favorece quem já é candidato.

Olala,
Em 2000, numa rara oportunidade de visitar o Norte da Itália, deparei-me com uma campanha eleitoral silenciosa. Há três dias numa cidade, nem havia notado que aquele município estava vivendo um período eleitoral. Não havia placas nas ruas, nos postes e só se sabia que o tempo era de eleição nas conversas entre pessoas.

Na época, eu havia deixado para trás um Brasil em campanha com ruas, postes e avenidas enfeitadas com múltiplas bandeirosla e cavaletes. O que se passavas lá, de certo modo, vejo acontecer aqui dez anos após.

Não sei se perceberam, mas estamos há cerca de 7 dias da escolha dos representantes do senado, Câmara, parlamento estadual, presidente e governador. Embora acredite que a campanha eleitoral comece com a propaganda de tevê, convém observar que antes disso a campanha está maisdiscreta e limpa.

Vale o contato com os eleitores e o convencimento a partir dos argumentos. A legislação eleitoral passou a ser mais rigorosa e mais restritiva. Bom para quem já é candidato que acaba em vantagem sobre os novos que buscam um lugar na política. Nas atuais condições, fica muito mais difícil um novo candidato aparecer no cenário político e lograr êxito. Somente o fracasso de quem detém mandato abrirá espaço para a renovação.

Presumo que haverá pouca renovação de nomes nos parlamentos. E, neste cenário de disputa, não faltam aqueles que, vendo o cenário dificil da campanha, entram nela já derrotados e sequer preparam um material mínimo para se comunicar com o eleitor. Dizem que campanha é uma guerra, mas, por enquanto, ainda não declarada.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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Costela fraturada


Costela fraturada não se enfaixa, diz o médico. O dificil é suportar a dor na hora de respirar.

Olala,
Tem coisas marcadas em cada tempo. O corpo da gente se adequa ao tempo e a ele resiste e suporta.

Como diz a Escritura, no livro do Eclesiastes, capítulo 2 e seguintes, "Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de sarar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de se separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz."

Pois, desde criança gostei de praticar esporte. Correr um pouco a cada dia, caminhar, e no final de semana correr um pouco mais com os amigos numa "pelada" de futebol. nas minhas cinco décadas correndo, sempre levei porrada de tudo o que é tipo, e sempre me saí bem.

Mas, o tempo passa e a cabeça continua puxando o corpo para as ações. Há quinze dias, uma bola prensada contra meu peito fez um estrago. Uma costela fissurou. A dor é infinita. Nem dava para expirar. Bocejar, nem pensar pois o pulmão pressionava a costela. Fui ao médico e me disse que costelas não se enfaixam quando quebram. Tem que deixar "soldar" ao natural. Umas quatro semanas sem bater.

Nunca tive tal desconforto estomacal. Mas, como há o tempo de gemer e de sarar, como disse o profeta acima, aqui estou eu convalescendo rumo à recuperação. O pior é que, dia destes, voltando do serviço, um bêbado cambaleante veio na minha direção e quase detonou a solda de minha costela. Pô, tinha que ser logo agora...
Pense nisto, enquanto há tempo!
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Barragens


Barragens: um assunto polêmico que tem a ver com o desenvolvimento do país. Você o que acha? Opine.

Olala,
Fui atrás de especialistas para saber o que pensam das barragens. Consultei o ex-secretário de Agricultura do governo Olívio Dutra, agrônomo Hermeto Hofmann, que me disse que as barragens são um assunto polêmico. Segundo ele, as barragens são vistas pelos ambientalistas como um mal. Eles não querem saber das barragens porque destróem e degradam o meio ambiente. Além de desalojar famílias assentadas há anos nas zonas ribeirinhas, acabam mudando a biovida das áreas inundadas. Os ambientalistas são contra a construção de barragens e defendem energias limpas.

Também falei com o técnico agrícola da Emater, Lino de David, para quem, as barragens não são um problema, desde que, na sua construção, cumpram exigências prévias que incluem indenização das famílias, das terras, das propriedades, reconstituição da mata ciliar, e projeto de manejo adequado da flora e fauna nas áreas inundadas.

Percebe-se que a questão guarda, em si, controvérsias. É polêmica.

O MAB, Movimento dos Atingidos por Barragens, surgido na década de 80 quando as primerias hidrelétricas começaram a se instalar na região do Alto Uruguai gaúcho não é contra as Barragens. É contra a construção sem um prévio acordo com as famílias atingidas. O que normalmente ocorre é que as empreiteiras contratadas para erguer as barragens não dialogam com as entidades que representam as famílias, constituindo litígios desde o início da obra.

Neste particular reside a importância do governo se impor para disciplinar as relações que devem prevalecer nestes empreendimentos que causam um grande transtorno a muitas famílias atingidas. Como é interesse do país e das famílias que haja energia para o Brasil crescer, esta energia, vinda das barragens, não pode se transformar em um problema para as famílias atingidas.

Por isso, no atual estágio de desenvolvimento do país, não podemos prescindir das barragens, mas também não podemos através delas, gerar problemas sociais e ambientais.
Este é o desafio.
Pense nisto, enquanto há tempo!
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As barragens têm sido a grande fonte de energia para garantir o desenvolvimento do país.

Energia para o Desenvolvimento


Como desenvolver o país sem a energia das abundantes e multiplas barragens existentes em solo brasileiro.

Olala,
O assunto barragens tem sido polêmico. O Brasil possui uma geografia ímpar dotada de recursos naturais invejáveis. Nenhum outro país tem uma rede de rios tão extensos em condições de aclive como o Brasil. A água jorra por todos os cantos e é abundante. Tanto sob o solo como acima dele. No subsolo temos as reservas do disputado aquífero Guarani que, dizem, será a salvação da humanidade quando algumas vertentes secarem mundo afora.

Água por aqui não é problema. É abundante e até causa estragos quando é demais.

O problema consiste em como administr esta água abundante que emana dos rios e se perde no oceano, se fundindo com a água salgada.

O Brasil está em período de crescimento acelerado. A economia cresce, as indústrias aumentam a produção, mais máquinas são agregadas, mais casas construídas, mais eletrodomésticos entram nas casas das pessoas. A mudança de classe faz com que as pessoas consumam mais e movimentem a economia.

Para possibilitar que este crescimento continue, é preciso energia. E a energia vem de várias fontes. No Brasil, a energia que move o desenvolvimento vem das hdrelétricas. Embora, um percentual menor venha do petróleo, da cana de açúcar, do urânio das usinas nucleares, do carvão e um pouco do vento. A mamona, o girassol, o milho e outras culturas ainda são um sonho e não podem ser vistas como alternativa capaz de suprir as necessidades de energia para o desenvolvimento.

Pensar o país, é pensar na garantia de energia. Os apagões verificados nos governos FHC devem ser coisa do passado. Mas, para isto, é preciso não ter concepções ingênuas em relação ao uso racional dos recursos energéticos do país.
Pense nisto, enquanto há tempo!

domingo, 27 de junho de 2010

Ângelo e a realidade


Sempre há esperança e aprendizagem enquanto há vida, ensina Paulo Freire.

Olala,
Tenho um amigo que sofreu um acidente de moto em 1978. Chama-se Ângelo. Bateu a cabeça e ficou vegetativo até um mês atrás. Algo surpreendente. De repente, não sei de onde, passou a recuperar a memória. E, espantosamente, veio à tona com a lucidez de antes do acidente.

O Ângelo recobrou o sentido e a inteligência que podia ser dado como morto há mais de três décadas. Sua família acreditou nele e, por acreditar, continua vivo.

Agora para ele tudo é surpresa. Ele tem que se acostumar com a realidade mudada. Em 1978 quando tudo aconteceu não tinha celular, não tinha, internet, iPhone, GPS, MP3,...

Não tinha computador. Em 78 o top era fazer um curso de datilografia e saber dominar o teclado de uma Olivetti ou uma Remington. Eu mesmo cheguei a digitar polígrafos para um professor universitário na base da matriz perfurada com as batidas da máquina de escrever. E muita gente que é doutor por aí se formou reproduzindo documentos na base do mimeógrafo movido a álcool.

A era digital não existia. Digital era a impressão que a gente gravava em um cartão de papel quando ia fazer o documento de identidade. Esta, aliás, por incrível que pareça, ainda continua viva.

Três décadas após, o carro tem comando eletrônico, é flex, tem GPS, o telefone é sem fio, há o celular com múltiplas funções e a comunicação liga pessoas que se ouvem e vê, on line, instantanemente de um canto a outro do mundo.

Vendo tudo isto, meu amigo Ângelo, nome que vem do latim, Angelus, e significa anjo, se sente tão antigo e velho que vive o desafio de aprender as coisas perdidas no passado. Ainda bem que existiu Paulo Freire que ensinou: "a gente aprende a vida toda".
Pense nisto, enquanto há tempo!
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