quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O drama de Onelio e Elvira



Olala,
Visitei neste final de semana dois brasileiros. Na verdade, dois netos de italiano que migrou para colonizar um lote na Linha Palmeiro, a primeira região de colonização de imigrantes italianos no RS. O casal entrou na minha vida como meus a dindos de crisma. Sempre vi neles o exemplo de pessoas simples, trabalhadoras e cumpridoras do dever. Seus quatro filhos todos ficaram próximos também nalida da agricultura, como muitos que insistiram em contribuir com o país atuando no meio rural.

Onélio, mais conhecido como Nélio, 87 anos, teve o infortúnio de sofrer um derrame cerebral há dez anos que o deixou entrevado. Elvira, 81 anos, sua companheira, também debilitou-se e desde fevereiro caiu adoecida há seis meses. Encontrei ambos imóveis em camas separadas num quarto de sua residência na localidade de Todos os Santos, em Farroupilha.

A família, na ânsia de garantir conforto aos doentes, foi obrigada a contratar uma enfermeira e bancar os caros remédios. Mas, os custos já não podem ser suportados e a Justiça foi buscada para garantir que o Estado forneça remédios. Até o momento, o Estado tem sido lento e não apareceu para ajudar.

O drama da família revela o drama da maioria dos brasileiros em relação ao principal problema dos brasileiros: dificuldade em tratar da saúde. Neste caso, a família até se esforçou contratando plano de saúde particular mas, as aposentadorias do INSS mal cobre os custos do plano. Na hora em que caíram doentes, a empresa detentora do plano, incrivelmente despachou os pacientes para suas casas.

Vendo cenas como estas, é impossível não achar que a solução está nas Equipes de Saúde da Família que alguns municípios mantém garantindo assistência médica e remédios aos munícipes. Por casos como o de Onélio e da Elvira, visualizamos como os órgãos públicos têm que avançar para garantir dignidade às pessoas, especialmente quando mais precisam, no tempo da velhice, quando as forças faltam e os sentidos enfraquecem.
Pense nisto, enquanto há tempo!
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário